Conheça Lisboa de elétrico!

Se há um ícone de Lisboa, é com certeza o velho 28, o elétrico pacato que dá a volta à Baixa, começa no Martim Moniz e tem o fim da linha em Campo de Ourique, nos Prazeres. A volta do amarelo passa por alguns dos locais e bairros mais emblemáticos da cidade, como a Graça, Alfama e o Chiado, mas também a Sé e vários miradouros com uma vista estonteante!

Descubra então os melhores lugares que pode visitar usando apenas o E28:


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Créditos: Hugo Boleto

1. Biblioteca de São Lázaro 

Apenas a 5 minutos da Rua da Palma, onde há uma paragem do elétrico, não pode deixar de conhecer uma das mais belas bibliotecas de Lisboa. Digna de um filme, a biblioteca pública mais antiga de Lisboa está aberta a todos e a sua entrada é gratuita. 



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Créditos: Camara Municipal de Lisboa

2. Mosteiro de S. Vicente de Fora 

Quando sair na paragem da Voz do Operário e descer a rua, vai encontrar o Mosteiro de S. Vicente, uma das Pérolas da capital que passa despercebida a quase todos... apesar do tamanho monumental! 

Na Graça, ergue-se um convento mandado construir por D. Afonso Henriques, em 1147, para agradecer a conquista da cidade. Ali, mais tarde, estudou S. António, padroeiro da cidade e santo casamenteiro, contudo só vários séculos depois, em pleno reinado de D. Filipe I de Espanha, é que o rei manda erguer o monumento que ali está hoje, num contraste entre as atarracadas casitas de Alfama e da Graça, o Convento ergue-se aos céus numa clara simbologia do domínio espanhol em Portugal.

O Convento, sede do Patriarcado de Lisboa, possui a maior coleção de painéis de azulejos barrocos do país, incluindo uma coleção única das fábulas de La Fontaine. O mesmo é ainda o Panteão da Casa de Bragança, a última dinastia do país e onde estão sepultados quase todos os reis da família.

Preço: 5€ por adulto e 2,50€ para estudantes e jovens.

 
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Créditos: Alegna13/Wikimedia Commons

3. Miradouro das Portas do Sol 

Apesar de ter uma vista incrível no passeio de elétrico, aconselho-o a sair e a aproveitar aquela que é uma das mais belas vistas de Lisboa, e um cliché dos postais. Uma aventura de graça, onde observa o rio, sente a brisa da capital e pode apontar os lugares que já visitou ou descobrir aqueles que ainda vai visitar.

Vai encontrar logo o Panteão abobadado e o imenso Convento de S. Vicente de Fora, ficará ainda rendido às pitorescas casas dos bairros tão típicos da cidade.

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Créditos: Go Lisbon

4. Museu de Lisboa - Teatro Romano 

Se sair na estação do Limoeiro e subir a rua da Saudade em direção à rua de S. Mamede, vai encontrar o Teatro Romano, um dos resquícios da ocupação romana em Lisboa a céu aberto.

O Teatro Romano foi erguido por volta do século I e reabilitado por Nero, porém foi desmantelado alguns séculos depois. O mesmo só foi redescoberto após o terramoto de 1755, em 1798, quando se deu pelas ruínas. O esquecimento deve-se ao tempo e mentalidade das gerações que o viram, pois hoje o Património Histórico é muito valorizado, mas antigamente não era, portanto, os alfacinhas foram construindo as suas casas ao lado do monumento, esquecendo-o, usando o Teatro inclusive como parede das suas habitações. 

Esta é uma experiência com entrada livre.


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Créditos: José Frade

5. Sé De Lisboa

A Sé de Lisboa é uma das três Pedras Basilares da capital: O Convento de S. Vicente, a Sé e o Castelo de S. Jorge.

A Sé, fortaleza e local de culto, continua a acolher as missas quotidianas, foi erguida também por volta de 1147 a mando de D. Afonso Henriques, e serviu inclusive de fortaleza aquando do Cerco de Lisboa pelos castelhanos, no reinado de D. João I, mestre de Avis. Entretanto, a Sé de hoje não foi a mesma ao longo dos séculos, pelo tempo, guerras, terramotos e incêndios, foi sendo destruída e reerguida, apresentando-se com aspeto austero que tem hoje.

Um dos momentos altos do ano, é o festejo de Santo António, no dia 12 de junho, véspera do culto ao santo. Casam-se vários casais apaixonados na Sé Catedral da cidade e à noite os bairros exibem as suas marchas de figurinos coloridos e rodados. Se o dia é de festa e animação, a noite é folia até de manhã por toda a Lisboa, dos bairros históricos aos mais novos. Por toda a cidade cheira a sardinha assada no pão, ouvem-se cantares e bailares, a cerveja corre pelas ruas enfeitadas e barulhentas...  Sem duvidas uma data imperdível para visitar Lisboa.

A entrada na Catedral é gratuita, no entanto pode visitar os Claustros e o Tesouro por 4€.


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Créditos: Antonio Sacchetti

6. Museu Nacional de Arte Contemporânea - Museu do Chiado 

Quando sair na paragem frente à Academia de Belas Artes (que deve também visitar) e subir a Rua Serpa Pinto, encontrará o Museu de Arte Contemporânea, que abriu portas em 1911 em colaboração com artistas nacionais e estrangeiros, tendo como principal missão educar e dar a conhecer novas obras e promover o cambio de conhecimentos entre artistas e alunos. 

Quer seja um entendido na arte que exibem no museu, ou um curioso, sem dúvidas que tem de parar no Museu do Chiado, um espaço tão singular quanto as suas obras.

Preço: 4,50€

                                        
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Créditos: Museu Nacional de Arte Contemporânea

7. A Brasileira e a Bertrand

Quando sair do museu e subir a rua, ou voltar a apanhar o elétrico e sair na paragem do Chiado, não vai perder a oportunidade de entrar n'A Brasileira e visitar a livraria Bertrand.

Caso seja um leitor de autores portugueses poderia deixar a explicação por aqui, mas caso poetas lusitanos não façam parte do seu reportório habitual, A Brasileira é um dos cafés frequentados por Fernando Pessoa e alguns amigos. Era paragem obrigatória do poeta para a sua "bica".

Na verdade, a história d'A Brasileira começa alguns anos antes de Pessoa, no Porto, até se abrir uma Brasileira em Lisboa, em 1905. A novidade deste café era exatamente o café! Em Portugal não se bebia café, os portugueses não gostavam, tanto que o fundador Adriano Telles passou treze anos a servir o café em chávenas gratuitamente.

O melhor que poderá fazer é mesmo beber uma bica ou um café pingado e admirar a bela decoração e envolvência do ambiente, para depois atravessar a rua e ir dar uma vista de olhos às prateleiras da Bertrand, esta que é considerada a livraria mais antiga do Mundo: sobreviveu a Terramotos, golpes de Estado, reis e presidentes, contudo, ainda se mantém firme nos dias de hoje. 


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    Créditos: C. M. Toledo e Livrarias com História

8. Palácio de S. Bento

O palácio de S. Bento está constantemente na ordem do dia dos portugueses por ser a casa da democracia, porém tudo começou há mais séculos do que é lembrado.

O palácio foi erguido no século XVI, quando o lugar ainda era campo, pelo que os monges podiam lavrar a terra e colher os seus legumes, os mesmos monges que deixaram o convento para a política em 1820, após a Revolução Liberal. Em 1833 instalaram-se no palácio as Cortes e após várias designações que variaram consoante o período político e histórico, chegamos àquele que é hoje o da Assembleia da Republica, o Palácio de S. Bento.

A magnificência do palácio, os vários retratos de políticos e presidentes, as esculturas e pinturas únicas, farão desta uma visita inesquecível.

As visitas guiadas são gratuitas, contudo têm de ser reservadas por meio do contacto disponibilizado no site da Assembleia da República.


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Créditos: Assembleia da República

9. Basílica e jardim da Estrela

A Basílica da Estrela foi mandada erguer por D. Maria I, a primeira rainha de Portugal, em honra do Sagrado Coração de Jesus, a primeira basílica do mundo dedicada a tal devoção. A rainha é por isso, a única Bragança sepultada fora do panteão da família, que como referi acima, é o Convento de S. Vicente de Fora (a par com D. Pedro IV, sepultado em S. Paulo, no Brasil).

Em estilo Barroco e Neoclássico, a rainha seguiu os passos do avô D. João V: prometeu erguer uma basílica se fosse abençoada com um filho, tal aconteceu, e a Basílica da Estrela nasceu. A promessa divina foi então cumprida com a maior pompa e circunstância. 

A Basílica pode ser visitada gratuitamente, no entanto ser-lhe-á cobrado um valor de 4€ para subir à abóbada.

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Créditos: Dicas de Lisboa

10. Mercado de Campo de Ourique (Rua Coelho da Rocha 104)

Se museus não fazem bem o seu género, sempre pode vir dar um passeio ao Mercado, para além dos produtos frescos, o Mercado de Campo de Ourique foi remodelado e agora acolhe um vasto leque de petiscos, lanches, e cafés para uma tarde de conversas e risadas com os amigos.

Só precisa de sair na paragem da Igreja do Santo Condestável, igreja também digna de visita, e subir a Rua Francisco Metrass para depois cruzar para a Rua Coelho da Roxa.

Afinal, os portugueses são um povo de convívio caloroso. Tem de fazer jus aos nossos costumes!


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Créditos: NIT

11. Cemitério dos Prazeres 

O fim da linha do 28, a última paragem da sua vasta visita. Um tanto ou quanto mórbido e alegórico, o fim da linha do elétrico termina próximo ao cemitério, mas não se vai arrepender de o visitar, garanto.

É no Cemitério dos Prazeres, mandado construir em 1833 por conta de uma epidemia, que estão sepultados os maiores nomes da cultura portuguesa e não só: Fernando Pessoa, Nicolau Breyner, Mário Soares, Cesário Verde, Mário Cezarini... e é também onde se encontra o maior conjunto de ciprestes da Península Ibérica, ou seja, acaba por ser um jardim: a paz que tantos desejam após a morte. Há mesmo quem diga que o Cemitério dos Prazeres é um autêntico mausoléu a céu aberto.

A entrada é gratuita.


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Créditos: Evelyn Kahn

Em suma, espero que tenha gostado das nossas sugestões, e como vê, dá para conhecer uma boa parte de Lisboa utilizando apenas o velho 28 como, isto mostrando apenas os monumentos mais próximos da linha. Devo relembrar, no entanto, que os horários devem ser consultados e que os preços dos bilhetes podem ser alterados. Resta-me apenas desejar-lhe uma boa viagem e que se divirta imenso pela capital de Portugal, quem sabe, na companhia do Hera Hotels & Resorts.



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